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Filme Escritores da Liberdade (Freedom Writers) foi lançado ao mundo no ano de
2006 e, no Brasil, teve sua estreia no ano seguinte. Hilary Swank (já premiada
ao Oscar como melhor atriz nos anos 1999 e 2004) estrelou como protagonista,
interpretando a jovem professora Erin, que em seu primeiro emprego acaba por lecionar
em uma turma de Ensino Médio, tendo como alunos adolescentes rebeldes, tidos
como incapazes perante aos demais professores da mesma escola. Frente a isto,
Erin procura obter melhoras na qualidade de ensino dos jovens, dispondo de
métodos próprios e sugerindo, aos educandos, maneiras diferenciadas de aprender.
Os
adolescentes da turma são relatados como parte da escória da sociedade, e o racismo
pode ser interpretado como um dos principais conteúdos do filme, por meio da
violência e rivalidade existente entre as gangues, compostas pelos alunos da
turma (de acordo com seus respectivos grupos de amizades).
É
constante a luta enfrentada pela professora para garantir uma educação
qualificada a seus alunos. A diretora de escola, entretanto, coloca-se contra
essa batalha, não crendo na necessidade de apoiar decisões que poderiam
garantir uma melhora no ensino; os alunos de tal turma não necessitariam,
afinal, de bons livros ou bons conteúdos já que, para ela, nada disso seria
absorvido e/ou compreendido por eles: alunos tão incapazes.
Para
conseguir o respeito pela turma, a professora procura incluir-se na realidade
vivida pelos seus alunos, buscando por temáticas que sejam do interesse dos
mesmos. Transportando a história para o nosso país (Brasil) e considerando a
influência de Paulo Freire na História da Educação, pode-se perceber que muitos
dos métodos utilizados por ele são demonstrados no filme como eficazes. Quanto
ao filme, na busca por uma compreensão da realidade, a professora disponibiliza
aos alunos simples diários, onde , segundo ela, estes poderiam escrever o que
quisessem, e a leitura dos mesmos somente seria realizada se a ela fosse
permitido. Com o passar dos dias a professora nota a presença de diversos
diários em seu armário e passa a lê-los. A maioria desses relatam histórias de
famílias oprimidas pela sociedade americana e torna-se fato de que muitos dos
jovens já não possuem uma família presente, e que suas vidas nada mais são do
que uma incessante busca pela própria sobrevivência.
Pode
ser percebida a existência de etnias e culturas tão diversificadas e,
juntamente a isso, a presença de certa rivalidade entre os próprios alunos. A
professora, de acordo com isso, lhes apresenta o caso do Holocausto vivido
pelos judeus na segunda guerra mundial e lhes fornece, para fins de estudo, o
livro “Diário de Anne Frank”. Com a leitura do livro, a utilização do diário
dos próprios estudantes e o passar das aulas, a professora consegue obter
harmonia entre a turma e passa a ser considerada, pelos próprios alunos, como
fonte de admiração.
É
interessante observar como uma única pessoa pode fazer tamanha diferença em uma
sociedade. No caso do filme isso aparece (e talvez de forma consideravelmente
fantasiosa, por se tratar, em parte, de ficção) por meio da professora Erin,
mas no “mundo real” do qual nós fazemos parte, essa tal diferença pode e deve
ser aplicada em salas de aula de todo o país. Cada professor dispõe dos métodos
de sua escolha, independente de esse guiar-se por teorias libertárias,
conservadoras, crítico-sociais, etc. É preciso que todos possam ser vistos como
capazes de aprender, independente de etnia, credo e diversos outros fatores que
nos tornam únicos em nossa multiplicidade.