sexta-feira, 11 de maio de 2012

Escritores da Liberdade


O Filme Escritores da Liberdade (Freedom Writers) foi lançado ao mundo no ano de 2006 e, no Brasil, teve sua estreia no ano seguinte. Hilary Swank (já premiada ao Oscar como melhor atriz nos anos 1999 e 2004) estrelou como protagonista, interpretando a jovem professora Erin, que em seu primeiro emprego acaba por lecionar em uma turma de Ensino Médio, tendo como alunos adolescentes rebeldes, tidos como incapazes perante aos demais professores da mesma escola. Frente a isto, Erin procura obter melhoras na qualidade de ensino dos jovens, dispondo de métodos próprios e sugerindo, aos educandos, maneiras diferenciadas de aprender.
Os adolescentes da turma são relatados como parte da escória da sociedade, e o racismo pode ser interpretado como um dos principais conteúdos do filme, por meio da violência e rivalidade existente entre as gangues, compostas pelos alunos da turma (de acordo com seus respectivos grupos de amizades).
É constante a luta enfrentada pela professora para garantir uma educação qualificada a seus alunos. A diretora de escola, entretanto, coloca-se contra essa batalha, não crendo na necessidade de apoiar decisões que poderiam garantir uma melhora no ensino; os alunos de tal turma não necessitariam, afinal, de bons livros ou bons conteúdos já que, para ela, nada disso seria absorvido e/ou compreendido por eles: alunos tão incapazes.
Para conseguir o respeito pela turma, a professora procura incluir-se na realidade vivida pelos seus alunos, buscando por temáticas que sejam do interesse dos mesmos. Transportando a história para o nosso país (Brasil) e considerando a influência de Paulo Freire na História da Educação, pode-se perceber que muitos dos métodos utilizados por ele são demonstrados no filme como eficazes. Quanto ao filme, na busca por uma compreensão da realidade, a professora disponibiliza aos alunos simples diários, onde , segundo ela, estes poderiam escrever o que quisessem, e a leitura dos mesmos somente seria realizada se a ela fosse permitido. Com o passar dos dias a professora nota a presença de diversos diários em seu armário e passa a lê-los. A maioria desses relatam histórias de famílias oprimidas pela sociedade americana e torna-se fato de que muitos dos jovens já não possuem uma família presente, e que suas vidas nada mais são do que uma incessante busca pela própria sobrevivência.
Pode ser percebida a existência de etnias e culturas tão diversificadas e, juntamente a isso, a presença de certa rivalidade entre os próprios alunos. A professora, de acordo com isso, lhes apresenta o caso do Holocausto vivido pelos judeus na segunda guerra mundial e lhes fornece, para fins de estudo, o livro “Diário de Anne Frank”. Com a leitura do livro, a utilização do diário dos próprios estudantes e o passar das aulas, a professora consegue obter harmonia entre a turma e passa a ser considerada, pelos próprios alunos, como fonte de admiração.
É interessante observar como uma única pessoa pode fazer tamanha diferença em uma sociedade. No caso do filme isso aparece (e talvez de forma consideravelmente fantasiosa, por se tratar, em parte, de ficção) por meio da professora Erin, mas no “mundo real” do qual nós fazemos parte, essa tal diferença pode e deve ser aplicada em salas de aula de todo o país. Cada professor dispõe dos métodos de sua escolha, independente de esse guiar-se por teorias libertárias, conservadoras, crítico-sociais, etc. É preciso que todos possam ser vistos como capazes de aprender, independente de etnia, credo e diversos outros fatores que nos tornam únicos em nossa multiplicidade.

 


sábado, 28 de maio de 2011

Reinserção escolar

Atualmente, em meio à sociedade na qual estamos inseridos, são muitas as pessoas que acabam abandonando os estudos devido a problemas pessoais dos mais variados tipos. Não são poucos os casos de jovens que deixaram de frequentar a escola para, então, se dedicar à maternidade ou até mesmo à família, que não tinha como se sustentar com tão pouca renda – por exemplo. É notável que casos como estes são mais frequentes do que podemos imaginar, mas estas pessoas devem, então, ser condenadas a não possuir o direito de ter uma segunda oportunidade?
Paulo Freire*, conhecido, também, por se dedicar ao ensino de adultos (*além de ser tido como um dos principais aliados à luta contra o analfabetismo e a favor de diversos outros aspectos em prol de uma educação digna e igualitária), mostra-nos a importância de se respeitar e entender o contexto cultural no qual se encontram alguns alunos. É necessário que educadores (as) consigam obter a realização deste processo de contextualização, pois, é por meio disto que o educando terá conhecimento de sua realidade e entenderá, através da ação de conhecer, que “O mundo não é. O mundo está sendo.”, como dito pelo autor em sua renomada obra “Pedagogia da Autonomia” ( na edição publicada no ano de 2006 em sua 46ª página); e, portanto, é preciso vir a ser não apenas objeto, mas sujeito de sua própria história, podendo vir a transformá-la diante da capacidade de intervir em seu meio social.
Sabemos que Paulo Freire foi além de uma “simples realidade”, ele chegou à realidade de indivíduos pobres e sem nenhuma instrução e os instruiu por meio de seus métodos de ensino. Entretanto, se tratando de uma realidade como a apresentada no primeiro parágrafo, de que métodos dispomos?
Como se pode ver, em muitas das revistas cuja temática principal vem a ser a educação, ainda não dispomos de métodos suficientes. A lei de Diretrizes e Bases (LDB) garante em seu Artigo 4º que o Estado deve dar um ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria e, também, ofertar um ensino noturno regular adequado às condições do educando; mas, apesar de tal lei existir, temos a confirmação de que há pelo menos 2 anos atrás, havia, ainda, o abandono escolar por parte de 1 a cada 5 alunos (como visto a partir de estudo realizado pela FGV – Fundação Getúlio Vargas).
O Governo necessita fornecer uma maior atenção à população, principalmente ao se tratar da educação, independente da idade ou classe social. Somente assim garantiremos um futuro melhor para aqueles que foram, um dia, tratados como sendo de menor importância perante a sociedade.

sábado, 24 de julho de 2010

Nós que aqui estamos por vós esperamos

A nostalgia veio com força e lembrei-me de um vídeo que assisti quando ainda estava no 2º ano do Ensino Médio e que fez com que eu me encantasse com tamanha simplicidade e conteúdo. Nós que aqui estamos por vós esperamos é um documentário produzido há 11 anos (1998) e dirigido por Marcelo Masagão. É incrível, mas posso dizer que sempre que assisto permito que mais informações cheguem até mim!

Um pequeno trecho de tal documentário, caso queiram continuar assistindo, sigam a ordem dos vídeos no youtube.

Relatos de Bianca - Parte II

Era Roberto, amigo de Afonso. Roberto viera avisar que lhe telefonaram para comunicar a morte de seu querido amigo, marido de Bianca. Segundo as informações de Roberto, Afonso fora surprendido por um caminhão que vinha no sentido contrário da pista e, por este motivo, seu carro capotara causando, imediatamente, sua morte. A triste notícia fez com que Bianca se entregasse às lágrimas e perdesse, completamente, a calma. Estava agitada, não entendia o porquê nem o como de tal acontecimento. Implorava por uma explicação plausível, pois não julgava de tal forma a explicação que lhe fora dada. O silêncio acabou suprindo qualquer possível explicação e Bianca, mais uma vez, pôs-se a chorar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Relatos de Bianca - Parte I

Era uma manhã de julho, fazia frio, muito frio. Bianca caminhava de um lado ao outro na tola esperança de encontrar alguém com quem pudesse conversar, mas encontrava-se sozinha em sua casa, que a esta altura já lhe parecia muito maior do que realmente era. Tinha cerca de 30 anos e acabara de se casar. Casara com Afonso, um homem cujo trabalho lhe impossibilitava descanso, pois dependia de diversas viagens para poder sustentar a família. Eram dias e noites angustiantes para Bianca, que ficara a espera de seu esposo, com o ideal de recuperar, ao lado dele, todos os dias em que havia ficado sozinha. Bianca sempre sonhou em poder casar, ter filhos, ajudar no sustento de sua família e ser feliz, muito feliz. De fato ela era. Era uma mulher realmente feliz, apenas duas coisas lhe incomodavam: a primeira era que Afonso acreditava que não fazia sentido algum ela querer trabalhar para ajudar a manter a casa. A segunda, ah a segunda... Bem, digamos que ela sentia-se sozinha, na maior parte do tempo. Ficava só consigo mesma, rondando a casa, os livros. Conhecia aquela estante como ninguém, havia lido e relido diversas vezes todas aquelas obras, desde as mais simples às mais elaboradas. Amava ler, era seu passatempo preferido - talvez o único -. A noite chegara e ela adormecera entre seus tantos livros e, ao surgir do sol, alguém bateu à porta...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Musicalizar

Quando menor, lembro-me de ouvir os mais diversos tipos de sons, dentre eles os das músicas de meus pais. Cresci ouvindo músicas "não pertencentes" à minha geração, como The Beatles; Elvis Presley; ABBA; Bee Gees, enfim, definitivamente um universo musical bastante variado estava diante de mim, uma simples criança. Gostava de tal musicalidade, sentia-me leve e ao mesmo tempo importante, responsável. Percebia que eu podia escutar o mesmo que os adultos escutavam e gostavam, de fato, de escutar. O tempo foi passando, e eu fui percebendo que não era apenas uma questão de orgulho ou de "conhecimento musical", mas sim de gosto. Meu gosto se modificou em diversos aspectos, me permiti conhecer outros diversos estilos ao se tratar de música, mas outros muitos permaneceram, muitos destes frutos de minha infância, de meu interesse pelas músicas ditas antigas. Hoje, por exemplo, escuto KT Tunstall, mas não me esqueci dos Beatles, escuto HIM, mas Bee Gees continua sendo bom! Dependo do tempo que vivi, do tempo que vivo, e do tempo que viverei para afirmar o meu bom gosto perante a música. Posso sim não ter o mesmo gosto musical que muitas outras pessoas, mas é isto o que me transforma, constantemente, em mim mesma. Agradeço àquelas pessoas que me ensinaram algo que levarei comigo pelo resto da vida: a música não depende do estilo, mas do som e daquilo que estes nos despertam!

Resposta?

Há tempos procuro uma resposta para o amor. Uma resposta para aquilo que faz com que amemos alguém, ou até mesmo algo. Há tempos sinto-me angustiada por não conseguir definir, de fato, o que é amar. Há tempos, há muito tempo. Pensando seguidamente no amor e no amar consegui, mais uma vez, concluir algo novo. Concluí, agora, que querer compreender o sentido do amor é quase tão complexo que querer compreender o amor do, ou no, sentido. Sentido? Que sentido? Amor? Que amor? Onde consta que para amarmos precisamos de sentido? Onde consta que para termos sentido precisamos de amor? Amar pode sim ter um sentido, ou dois, ou três...ou nenhum, de fato. O amor não se explica em frases, ou em pensamentos. Às vezes, por mais contraditório que possa parecer, amar não se explica nem mesmo através dos mais puros sentimentos. Sei que amo, e isto basta. Basta para que eu ame, basta para que eu pense, basta para que eu sinta. Não defino o amor, pois descobri que amar é não conseguir definir e fugir, constantemente, desta ilusória definição. Amo porque amo, e não há nada mais simples e complexo que isto!